terça-feira, 29 de setembro de 2009

O reflexo da matéria

Meus olhos são tão grandes que até posso ver nós dois, esse declínio me ilumina.
Não vou ver os anos 3000 nem as baladas de meus bisnetos. Não caço mais a madrugada em esperança de alcançar as estrelas, nem lembro mais delas. Com o dia a dia eu perco o medo e às vezes me embebedo. E a limpeza, a comida, a correria, o “escutado”, a “notada” de atenção... São vícios e os piores desvios.
Vou sair à noite a procura de uma alma, quem sabe eu a encontre nua e assim lúcida. Minhas perguntas e dúvidas, meus medos e anseios, minhas alegrias e alegorias, meus prazeres e afazeres... E em que esquinas se encontraram os desvios dos meus filhos, como os vou deixar, se é que vou deixá-los. Preciso da energia cósmica, do éter vivo, do teu olhar querido. E o olhar negro que me consome na cama e nos sentidos. Enquanto. Ouço os gritos dos seres vivos necessitados. Dos dançarinos, dos uivantes, dos berrantes... E sinto o coração pula-pula da atmosfera do planeta terra.

2 comentários:

  1. A palavra é angústia. Depois de decompor o texto, de degustar cada oração, de assimilar os adjetivos e associá-los a você... chega-se a angústia.


    *Sua beleza nos conforta a alma, Carolina. Sugiro que, sempre que estiver triste, procure um espelho e dê um sorriso... vai melhorar.

    ResponderExcluir
  2. Tua prosa, que digo de início ser poética, foi extremamente sinetésica aos meus canais. Lindo.

    ResponderExcluir