domingo, 31 de outubro de 2010

Natureza

Quero esse humor e esse agito nessa hora de tão aflita agonia.
Quero beijos e carícias.
E lamentar...
O repúdio é dos calouros.
Ai como eu quero meus impostos cortejar, galopar a meia noite e meu ego acalentar.
Que não há nada mais egoísta que esse humor entupido, essa cova distraída, meio tijolo despencado.
O sentimento ferido realçou a matéria que depois de cultuada sem natureza será nada.

Carol

Carol om vê tudo arte, vê arte nas caveiras virando pó, nos corpos se deteriorando, no menino de barriga grande defecando. Carol om vê tudo arte, no nascimento, na morte, no aconchego do olá doado, no consolo do tanto faz, nas diferenças das cores dos quadros e das peles. Carol om vê tanta arte que não da para ficar calada e tem a cara pintada, é cheia de raças.



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ainda que tarde, tudo ficou encontrado aqui. Qualquer lembrança, sonho ou vontade. A dor que aspirava de Juliana era gigante, grande lama. Ela havia se perdido no espaço sem suicídios, sem veículos. O que firmava era o seu vazio e suas lágrimas caindo como corridas, ventos, asas de calmarias. Só, novamente só. A ansiedade lhe gritava como praga, uma maneira de lembrar a vida. Esperava o telefone tocar, o mundo acabar, a calmaria reinar e o sonho ou qualquer desejo parar, se acabar.

Agora não tardo em dizer que já era meu querido! Você perdeu os meus risos e meus brindes, os meus livros. Perdeu o meu brilho, o meu lírico. Perdeu meu calor e a minha cor, minha dor. Você perdeu a firmeza da segurança do meu abraço, o meu ato. Você perdeu a sintonia do meu beijo, as cordas do meu peso e a música do meu desejo, do meu lampejo.
Não amor, não tardo em dizer que já era.

Seu sorriso ficou alto e inerte, pura febre, neve, nada de leve.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

“quando olho para mim não me percebo.
tenho tanto a mania de sentir
que me extravio às vezes ao sair
das próprias sensações que eu recebo”

Eu sou muito crítica para viver no ceticismo de aceitar as coisas. Não. Tem que haver discordâncias e devaneios onde houver eu. Uma tristeza imensa e uma melancolia eterna. Estou dividida entre o “correto” e o “errado”. E sinto, sinto, sofro, sofro. Mas prefiro os caminhos sujos mesmo, cair na lama, entregar-me descalça a mostrar maiores satisfações em estar presente aqui. Por isso caio na rua a me embebedar. Meu perfume fura, rasga, estupra, estraçalha, fere. Pobre ferida fere. Como se fosse engraçado tal ato, como se fosse alto. Tem um carlton?

“o ar que respiro, este licor que bebo,
pertencem ao meu modo de existir,
e eu nunca sei como hei de concluir
as sensações que ao meu pesar concebo.”