terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ainda que tarde, tudo ficou encontrado aqui. Qualquer lembrança, sonho ou vontade. A dor que aspirava de Juliana era gigante, grande lama. Ela havia se perdido no espaço sem suicídios, sem veículos. O que firmava era o seu vazio e suas lágrimas caindo como corridas, ventos, asas de calmarias. Só, novamente só. A ansiedade lhe gritava como praga, uma maneira de lembrar a vida. Esperava o telefone tocar, o mundo acabar, a calmaria reinar e o sonho ou qualquer desejo parar, se acabar.

Agora não tardo em dizer que já era meu querido! Você perdeu os meus risos e meus brindes, os meus livros. Perdeu o meu brilho, o meu lírico. Perdeu meu calor e a minha cor, minha dor. Você perdeu a firmeza da segurança do meu abraço, o meu ato. Você perdeu a sintonia do meu beijo, as cordas do meu peso e a música do meu desejo, do meu lampejo.
Não amor, não tardo em dizer que já era.

Seu sorriso ficou alto e inerte, pura febre, neve, nada de leve.

Um comentário:

  1. é impressionante como o fim e o começo trazem alegria, medo e tristeza do mesmo jeito.

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